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Pequeno conto oriental
Temos um certo preconceito contra a cultura islâmica por conta dos atentados terroristas e algumas barbaridades que grupos radicais promovem em nome do islamismo. Também sabemos que esses radicais são uma ínfima minoria nessa religião que figura como segunda com maior número de fiéis no planeta. Dentre todos os humanos que professam essa religião alguma sabedoria deve surgir disso.
Os muçulmanos sempre foram amantes das ciências e das artes. Tiveram grandes contribuições em Matemática, pois para eles, brincar com números é se aproximar de Deus. Matemática é algo realmente divertido para os muçulmanos. Enquanto aqui, no Brasil, Matemática é algo chato e complicado tanto de ensinar como aprender. Para os muçulmanos a Matemática é interessante, para nós não. Temos a cultura de que pessoas normais não gostam de Matemática.
Essa cultura nos rendeu a 53° posição entre 57 países em uma pesquisa que leva em consideração a média dos alunos nessa disciplina. O resultado divulgado pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) mostra que estamos muito atrás no ensino de Matemática. Abaixo um pequeno conto muçulmano que ilustra muito bem a importância dessa ciência no desenvolvimento social e econômico de um país.
“Asad-Abu-Carib, rei do Iêmen, ao repousar, certa vez, na larga varanda de seu palácio, sonhou que encontrara sete jovens que caminhavam por uma estrada. Em certo momento, vencidas pela fadiga e pela sede, as jovens pararam sob o sol causticante do deserto. Surgiu, nesse momento, uma famosa princesa que se aproximou das peregrinas, trazendo-lhes um grande cântaro cheio de água pura e fresca. A bondosa princesa saciou a sede que torturava as jovens e estas reanimadas puderam reiniciar a jornada interrompida.
Ao despertar, impressionado com esse inexplicável sonho, determinou Asad-Abu-Carib viesse à sua presença um astrólogo famoso, chamado Sanib, e consultou-o sobre a significação daquela cena a que ele – rei poderoso e justo – assistira no mundo das Visões e Fantasias. Disse Sanib, o astrólogo: “Senhor! As sete jovens que caminhavam pela estrada eram as artes divinas e ciências humanas: a Pintura, a Música, a Escultura, a Arquitetura, a Retórica, a Dialética e a Filosofia. A princesa prestativa.” “Sem o auxílio da Matemática – prosseguiu o sábio – as artes não podem progredir e todas as outras ciências perecem.”
Impressionado com tais palavras, determinou o rei que se organizassem em todas as cidades, oásis e aldeias do país centros de estudo de Matemática. Hábeis e eloqüentes ulemás, por ordem do soberano, iam aos bazares e caravançarás lecionar Aritmética aos caravaneiros e beduínos. Ao termo de poucos meses, verificou que o país era agitado por um surto de incomparável prosperidade. Paralelamente ao progresso da ciência, cresciam os recursos materiais; as escolas viviam repletas; o comércio desenvolvia-se de maneira prodigiosa; multiplicavam-se as obras de arte; erguiam-se monumentos; as cidades viviam repletas de ricos forasteiros e curiosos.
O país do Iêmen teria aberto as portas do Progresso e da Riqueza se não viesse a fatalidade pôr termo àquele fervilhar de trabalho e prosperidade. O rei Asad-Abu-Carib cerrou os olhos para o mundo e foi levado pelo impiedoso Asrail para o céu de Allah. A morte do soberano fez abrir dois túmulos: um deles acolheu o corpo do glorioso monarca e ao outro foi atirada à cultura científica do povo.
Subiu ao trono um príncipe vaidoso, indolente e de acanhados dotes intelectuais. Preocupavam-no mais os divertimentos do que os problemas administrativos do país. Poucos meses decorridos, todos os serviços públicos estavam desorganizados, as escolas fechadas e os artistas e ulemás forçados a fugir sob a ameaça dos perversos e ladrões. O tesouro público foi criminosamente dilapidado em ociosos festins e desenfreados banquetes. E o país, levado a ruína pelo desgoverno, foi atacado por inimigos ambiciosos e facilmente vencido.”
Faltam profissionais de nível técnico
Hoje, sexta-feira, tenho dois assuntos para comentar. A falta de profissionais de nível técnico e a descoberta de um campo de petróleo na Bacia de Santos. Mas vou falar sobre um de cada vez.
Primeiro vou falar sobre a “falta técnica” no Brasil. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fez uma projeção de falta de 117 mil empregados qualificados em 2007. Mas perae, com essa explosão de cursos universitários e projetos do governo como o PROUNI, tem muita gente fazendo faculdade. Muita gente na faculdade e pouca gente em cursos técnicos. Acontece o seguinte:
- Pipocam por aí novas faculdades particulares onde é fácil de entrar e o governo paga o curso para quem só tiver estudado em escola pública e mais algumas exigências
- Em compensação, os cursos técnicos são, na maioria, públicos, mantidos pelo governo. Existe vestibulinho para entrar nesses cursos e a procura ainda é grande, mas as vagas são poucas. Universidade dá muito mais dinheiro do que fazer escola técnica particular
E ainda tem mais. O curso técnico ainda é sinônimo de “coisa de pessoal de baixa renda”. Ter apenas um curso técnico ainda é considerado ruim, socialmente. Ou você tem nível superior ou você não é ninguém. Isso tem que mudar. E rápido! Eu entrei na engenharia de computação, mas devia ter feito mesmo um curso técnico de computação e ter feito faculdade de matemática. Erro meu. Influenciado pela família elitista e preconceituosa que eu tenho.
Vou usar o exemplo que eu tenho em casa. Minha mãe é formada em Administração de Empresas. Meu pai fez curso técnico, não lembro do que, mas fez. Minha mãe nunca usou o que aprendeu na faculdade. Meu pai trabalhou como técnico e trabalha até hoje. Agora ele faz faculdade, gestão ambiental. Mas ta fazendo para dar um upgrade na carreira e ele tem 50 anos.
Resumindo, o ensino técnico ainda é marginalizado pela sociedade. Existe no Brasil, hoje, 5.495.277 de alunos matriculados na faculdade enquanto os matriculados em cursos técnicos somam 744.690 alunos. Isso tem que mudar. Se só tivermos advogados, médicos, engenheiros e outros profissionais de nível superior não teremos empregados. Não menosprezo ninguém, todos têm sua importância. Precisamos de chefes e subordinados para a indústria, o comércio e todos os setores da economia funcionarem plenamente.
Um último detalhe. Foi descoberta uma reserva “gigante” de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. Enquanto que faltam mais de 25 mil trabalhadores qualificados para indústria química e petroquímica!
Valorizemos
Acabei de ler um editorial da Folha sobre um plano para a educação pública. A meta é cortar pela metade as taxas de reprovação até 2010 e alfabetizar todas as crianças de oito anos. Agora você se pergunta: “Como?” Até hoje isso não foi possível, como fazer isso agora? Valorizando.
Deixe-me explicar. Foi desenvolvido um sistema de avaliação da escola como um todo. Cada escola terá metas específicas de aprendizado, assiduidade de professores e estabilidade do quadro de funcionários. Cumprindo as metas, todos recebem remuneração adicional. Até as escolas mais deficientes receberiam um incentivo para progredir. E cada escola só seria comparada a ela mesma.
A educação é feita por todo um conjunto que compõe toda a escola. O professor é o cerne da qualidade, mas um bom professor não consegue ensinar aonde não lhe são dadas devidas condições para isso. Toda a escola, e quem sabe a comunidade, deve trabalhar para melhorar a educação. Afinal esse é de longe o maior problema do Brasil.
Violência, fome, desemprego, saúde e etc, são apenas conseqüências da falta de educação do nosso povo. Até a corrupção entra nessa, pois um povo sem instrução e que não sabe seus direitos e deveres e como fiscalizar os políticos, permite que isso aconteça.
Com essas medidas de valorização das boas instituições de ensino resolve-se um problema antigo no funcionalismo público brasileiro. Você não precisa ser um bom profissional para ganhar o seu dinheiro. Todos são iguais, desde o gênio até o bucéfalo do professor tirano que está mais preocupado em dar sua aula e ir embora do que ensinar os alunos. Essas medidas, se levadas a sério, melhorarão muito a educação. Pena que o plano seja do Governo de São Paulo. Ideal seria se fosse federal. Mas vamos dar um passo de cada vez, não?




