Mate Filosofia
Quando ainda era adolescente no sul de Minas Gerais, a cidade em que eu morava não oferecia muitas opções de entretenimento e lazer. Só restava ao povo beber. Então tudo era motivo para tal: frio, calor, chuva, sol, churrasco, feijoada, filosofia, etc. Naquele tempo, a minha turma de amigos era composta por pessoas razoavelmente instruídas e libertas de certos preconceitos e regras da sociedade. Éramos diferentes dos outros adolescente e sabíamos disso.
Os “papos de boteco” eram de nível elevado. Discutíamos literatura, música e mais algumas coisas que o álcool da época não me deixa recordar. Mas o que eu mais gostava era de ficar pensando e falando para os amigos o que se passava pela minha mente. Cheguei até a falar de matemática com um amigo que hoje estuda Artes Cênicas. Agora imaginem o grau do garoto! O álcool é ótimo para soltar a imaginação e a língua.
Com o tempo eu acabei descobrindo que não éramos assim tão diferentes e livres das amarras da sociedade. Usávamos o álcool para soltar o que tínhamos travado dentro de nós. As conversas e as filosofias estavam trancadas dentro de nós e não podíamos falar sobre isso com outras pessoas. Mesmo entre nós existiam alguns tabus que eram quebrados com o grau alcoólico da vodka ou do rum. Quando bêbados, o álcool nos desculpava, pois acredita-se que as pessoas são transformadas pelo álcool. A sociedade acredita que o álcool nos transforma em outras pessoas e o que fazemos quando bêbados não é, realmente, o que somos.
No entanto acabei descobrindo que isso era mentira. O álcool não nos transformava em outras pessoas apenas removia, temporariamente, as travas que a sociedade nos impunha. Com o tempo e a filosofia alcoólica fui me destravando e descobrindo quem eu realmente sou. Hoje não preciso mais do álcool para me libertar e não aprecio o estado de embriaguez. A sensação de perda da consciência e da razão já não me apraz.
Hoje, apesar de não ser gaúcho, tomo um chimarrão como auxílio à filosofia. O mate quente me ativa o cérebro e a razão ao invés de suprimí-la como o álcool. Claro que ainda tomo minhas doses de álcool, mas não para ficar bêbado. Bebo porque gosto do sabor da bebida e de apreciar o trabalho bem feito de alguém. Com as travas soltas aprendi a fazer cerveja e conheci muitas outras pessoas que também fazem cervejas.
Acabei descobrindo o prazer da sobriedade e da filosofia consciente. Neste exato momento estou “mateando” e imaginando como será a minha próxima cerveja.





Eh… esse texto ta bacana, é isso que eu acho do alcool tb. Nele não muda as pessoas, as pessoas são o que são e ponto. Usam o alcool como desculpa para mostrar um lado q a sociedade não quer ver.
RafaelPrimo
7 jan 10 às 10:32
O álcool é o lubrificante social universal. A Cerveja é a prova de que o mundo ainda tem jeito. A filosofia é a arte de se mudar o mundo de dentro de sí mesmo pra fora. Texto foda. Merece Uma breja!
Johnny McDuff
7 jan 10 às 12:47
álcool tem sua razão de existir…
o álcool não faz nada, nao acelera um carro, não dispara uma arma, não faz nada!!!
Mas SIM ele desprende as pessoas, umas mais, outras menos.
O que tem q ser pensado, SEMPRE é como eu vou reagir tendo a NOÇÃO que estou alterado pelo álcool.
Nada é tão ruim que não possa ficar pior com o exagero, então pense ANTES e não depois de exagerar.
Panthro
11 jan 10 às 14:56